terça-feira, 24 de abril de 2018

XI

um rio que seja para esta fome de raízes

não saberemos da morte
do seu rosto exposto ao sol
ou da memória que vestirá os nossos ombros

como a água que se move
eu tenho pressa

sábado, 7 de abril de 2018

X

a língua que diz
- não se mova -
pela leveza dos espaços

não é desta espessura que falo
mas das inundações não fabricadas

do peixe que se ergue no mar
e não retorna

terça-feira, 3 de abril de 2018

IX


um longo tempo
sem tecer a trégua

que fossem então as águas
a costurar os estilhaços
a nudez dos que ficaram

- e não souberam -

o peito a arfar
porque é noite
e já não se respira

o leito deste rio
é a mudez absoluta






terça-feira, 30 de janeiro de 2018

VIII


falaria da casa
do quanto as noites se alongam
até tocarem o chão

desta mudez – que não é pouca –

como um afogado
que ficou sem a palavra 

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

VII

falar ao tempo
da disparidade com que tocamos as coisas
deste chão que não sabe de espaços fundos
é bom estar só e não mensurar
a agonia dos espelhos
um tempo que fosse palavra
e não asa


domingo, 7 de janeiro de 2018

VI

como não sucumbir às sombras

que fazem escurecer  o dia

ao ruído, mínimo, que é cruzar a porta


 - essas coisas que rompemos com as mãos -


uma noite apenas

para tanta fome


e um céu

como se falássemos 

V


uns avessos, uns azuis
que não me cabem

e fosse o mar
esta torrente de milagres

não falaríamos de plátanos,
desembocaduras

não diríamos deste todo
de barcos, armaduras

a sutileza das armadilhas